7 de jul de 2012

Um camaleão com as cores do Rio


O que é ser camaleão? Qual o lado positivo e o negativo que nos traz esta expressão? A mim fica a impressão de que o camaleão se adapta facilmente a novos ambientes, de preferência aquele em que está inserido no momento. Ele é capaz de olhar para as cores locais, com suas nuances, identificá-las, codificá-las, processá-las e - a partir daí - vestir-se com as mesmas. Desta forma, passa a integrar-se ao novo ambiente, passando a ser visto como parte integrante do mesmo. Para mim, este é o lado positivo do termo.
A negatividade - a meu ver - passa a existir quando este indivíduo abandona seus princípios, valores próprios e hábitos adquiridos ao longo do tempo, para adquirir cores com as quais não se identifica ou verdadeiramente gosta. Muda de cor apenas para ficar com a cara do freguês e aparentar ser o que não é.
Uma vez elaborada a minha visão sobre a expressão camaleão, vamos à uma história camaleônica vivida por mim na pré-adolescência.


Verão de 1977. Férias escolares. Hora de voar; ou melhor dizendo, viajar. Desta vez o destino escolhido pela família era o Rio de Janeiro. Finalmente iríamos ver de perto o Cristo Redentor de braços abertos para a Baía de Guanabara.


E de braços também abertos seguimos viagem no landau azul-marinho de papai.
Nestas viagens o mais difícil eram as chegadas quase sempre tumultuadas por não fazermos a mínima  ideia de como entraríamos nas cidades e chegaríamos ao hotel quase sempre reservado. Esta era a hora em que papai e mamãe exercitavam entre si as suas desavenças, cobrando um do outro cada curva errada, cada rua virada à direita que era para ser à esquerda e dá-lhe rodar e rodar voltando por vezes aos mesmos lugares. Bem-dito seja o GPS de hoje.


O Rio é tão lindo que mesmo quando você erra o caminho, certamente acerta na paisagem. E foi assim, entre erros e acertos, que finalmente encontramos nosso hotel na praia de Copacabana. Feito o check-in, conhecido os quartos, eu e meus dois irmãos descemos ao lobby para explorarmos o hotel. Demos de cara com uma loja de souvenirs com objetos para lá de especiais: canecas e pratos com as paisagens cariocas; camisetas estampando os principais pontos turísticos; as tradicionais caixinhas amarelas dos filmes Kodak; além daquelas peças horrendas feitas com pedras brasileiras.


Tinha também cartões postais, um mais lindo que o outro. Pois foi aí, segurando nas mãos alguns deles, e respondendo à tradicional pergunta da vendedora "posso ajudar?", que resolvi colocar em prática o sotaque carioca que havia aprendido nas novelas da Globo. Se até a escrava Isaura falava carioquês, por quê não eu?

- Quanto cusssta essstes carrrtõesss possstaisss, moça? - perguntei-lhe todo orgulhoso.
- Dezzz reaisss. - respondeu-me ela. E não é que dava certo mesmo?  Daí para a frente - de ambas as partes - foi um festival de rrrs e sss. Tudo no mais nativo carioquês.
E não foi que o meu irmão mais velho resolveu encrencar? Chamou-me de lado, ou melhor, apertou com força o meu braço e lascou a maior bronca:
- Você tá louco! Ai que vergonha! Onde já se viu fazer uma coisa destas! Vou contar tudo para o papai e mamãe. -  e foi saindo da loja quase que me levando à nocaute.

Nossa, pensei. Não se pode nem mesmo querer praticar novas possibilidades de verbalizar as palavras? Que mal pode haver nisso?

Na hora resolvi ficar calado, sentido-me um pouco culpado e envergonhado pela reação de meu irmão. Afinal, irmão mais velho era aquele que os mais novos deveriam sempre respeitar, principalmente na ausência dos pais.

Hoje, passados tantos anos e conhecidos tantos sotaques neste Brasil de meu Deus, diria ao meu irmão mais velho:

- Guto, eu não tenho culpa se você só sabe se fazer entendido em seu sotaque de origem. Eu, viajado que sou, aprendi a falar o português em diferentes entonações e sotaques. Quer praticar um pouco comigo? Ah, quer ver que lá vem outra bronca!


A história acima serviu de licença poética para poder apresentar-lhe um tecido que desenvolvi para o hotel EMILIANO no início de meu trabalho na Helvetia, quando estava querendo exercitar as possibilidades e aplicações que este tipo de produto poderia trazer à diversos mercados.


Tive a ideia de fazer um tecido todo logotipado que poderia vir a ser utilizado pelo hotel para fazer saquinhos de sapatos e - desta forma - ser ofertado aos hóspedes como brinde especial. Como seria isto? O cliente seria informado ao entrar no hotel que o mesmo disporia de um serviço especial de engraxar sapatos. O cliente deixaria os sapatos aos cuidados de um funcionário que se encarregaria de engraxá-los e - uma vez feito o serviço - os devolveria ao hóspede embalados nestes saquinhos especiais.


Fiz a proposta à governanta do hotel que - após autorizar-me a fazer a amostra do tecido - ficou de encaminhá-lo, juntamente com a minha ideia de utilização, à direção do hotel.

O tecido foi feito com uma base de lã off-white, tendo o logo bordado em dois tons de dourado: ouro rhodia trilobal e tactel ouro. Utilizei também do recurso de marca d'água que enriqueceu ainda mais o trabalho.


Muito interessante esta matéria que encontrei no Jornal Folha de S. Paulo. Ela mostra o resultado de uma pesquisa feita com cerca de mil pessoas, jovens de até 32 anos, sobre os itens mais importantes que um hotel deve levar em consideração para ter a sua preferência. Veja o resultado:


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