20 de jun. de 2013

O sol das muriçocas


Noite na fazenda
A tarde vai caindo e as galinhas vão ocupando seus lugares
no poleiro em frente à casa sede
Elas sobem na cerca em busca de proteção
para a noite que se aproxima
Sabem que se adormecerem ao chão, correm o risco
de acabarem devoradas por algum bicho do mato
As que não encontram abrigo na cerca, o fazem
nos galhos das árvores das laranjeiras do pomar
O campo tem suas próprias regras,
com hora e lugar para cada coisa
Os dias e noites seguem o mesmo ritual ad infinitum
É cada um por si e Deus por todos
Quando a noite se estabelece a regra geral
é o silêncio total
Tirando os grilos falantes, as corujas a piar,
os sapos a coaxar, os rouxinóis a cantar,
o violeiro a fazer serenata e as comadres a fofocar,
tudo o mais é silêncio e escuridão
O único movimento na madrugada vem das muriçocas
girando ao redor das lâmpadas acesas,
como se cada uma delas fosse um planeta,
e a lâmpada, o seu Sol

Lembranças de infância. Reminiscências de um passado distante. É disto que fala a poesia acima. Quando somos crianças não imaginamos que tudo aquilo que vivemos um dia nos voltará em forma de lembrança. Pensamos que são apenas brincadeiras; mas até elas crescem e viram coisa de adulto.

É interessante pensarmos que um tecido pode nos remeter a coisas tão pessoais. Pois foi isto o que aconteceu quando resolvi mostrar-lhe o tecido que desenvolvi e produzi para a marca de roupas femininas KANDINSKY.


Ele foi elaborado para servir de forro personalizado de peças de alfaiataria. Sua construção foi feita em cetim marca d'água, na cor de fundo pérola.














Este trabalho é a personificação de que uma roupa, para ser alçada ao grau de excelência, tem que mostrar sua cara por dentro e por fora; um lado não pode prescindir do outro. Se o cliente disser: - 'Nossa, dá vontade até de usar do avesso", é sinal de que a peça em questão alcançou a sua plenitude.

Recado do dia: Ter flexibilidade não é ajoelhar-se aos pés do outro.



A imagem que abre o post retrata mosquitos e uma libélula que voam em torno de uma lâmpada acesa em noite quente de verão em Turquillas, na Espanha. Foto de Jon Nazca/Reuters

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