21 de ago de 2012

Traição

ilustração de Charlie Zimkus

Você já se sentiu traído? Já se imaginou traído? Já foi efetivamente traído? Para qualquer uma das perguntas anteriores vale a mesma resposta: não importa com quem, quantas vezes e como foi; a dor será sempre a mesma, imensa e lancinante. A história a seguir ilustra bem o que disse:

Adélia e Ricardo faziam um casal que era exemplo de união feliz e estável por parte dos familiares e amigos. A relação dos dois já durava pelo menos dezessete anos entre o primeiro encontro e a noite do fim do relacionamento.

Os casais que vivem relações longânimas sabem do que estou falando: com o passar dos anos, o desgaste natural da relação, o nascimento dos filhos e tantas outras situações, a vida sexual já não fica mais a mesma dos primeiros encontros, quando o fogo da paixão arde feito brasa no corpo dos enamorados.
Com o tempo, quando o casal amadurece junto, surgem novas possibilidades e prazeres - além do sexo propriamente dito - que vão dando novas cores à relação e fazendo com que esta vá se perpetuando, às vezes por anos a fio. Mas dependendo do desequilíbrio no amadurecimento dos dois, estas novas possibilidades podem efetivamente não aparecer ou  podem aparecer, mas não vir a serem notadas por um dos dois ou para ambos.

No caso de Adélia e Ricardo, os anos, ao invés de amenizarem as diferenças que inicialmente os unira, causaram o seu afastamento afetivo e emocional. Os dois passaram a se "estranharem" com frequência. Às vezes, bastava uma palavra mal colocada para que as discussões aparecessem e tomassem o lugar da harmonia, do amor. Era um tal de "você fez isto" pra cá, "você fez isto" pra lá". No começo os amigos não perceberam, mas passado algum tempo, as discussões foram ficando evidentes nas sessões de cinema; nos almoços ou jantares fora de casa; nos passeios; nas viagens; até que se tornara difícil imaginar uma situação onde estas brigas não aparecessem. E quando isto acontece, aonde as brigas vão parar? Na cama, com toda a certeza.

A cama é o ponto inicial e o ponto final de qualquer relação amorosa. Podemos dizer que ela é o termômetro que apresenta a temperatura da relação do casal; não tem como enganar: ou a temperatura está quente, o que é uma delícia, ou ela está fria, o que é uma merda, com o perdão da palavra.

A temperatura na cama de Adélia e Ricardo estava num grau que já não denunciava mais a presença de vida. De algumas vezes ao mês, à duas, depois uma e depois nenhuma, o sexo entre os dois fora se tornando escasso e insosso. Quase sempre, um sinal de mera obrigação contratual.

As "dores de cabeça" de Adélia que serviam  no início para justificar as negativas ao sexo foram virando a tônica da relação. No começo Ricardo até acreditou, mas depois achou que era dor de cabeça demais para uma única mulher. Uma ou outra vez, era a vez de Ricardo alegar cansaço para esquivar-se do exercício amoroso.

Os dois foram levando a situação em banho-maria até que um dia a água acabou e a panela ferveu.
Nesta noite, após mais uma negativa de Adélia, Ricardo resolveu colocá-la na parede:

- "Adélia, eu não aguento mais. O que está acontecendo?"
- "Nada...não está acontecendo nada." - foi a resposta.
- "Não pode ser. Olhe para mim. Você tem um amante?" - a pergunta saiu quase que espremida na garganta dele.
-"Amante...não, não tenho." - respondeu Adélia sem encará-lo.
- "Se não existe um outro homem, então o que é?" - insistiu ele.
-"Você quer realmente saber?" - respondeu ela, para o espanto, surpresa e medo dele.
-"Fala!" - o silêncio que se sucedeu era a resposta do medo que se instaurara naquele quarto.
-"Eu vou falar, sim... Quer saber, eu já não sinto mais nada por você. Faz tempo que não sinto nada! Tive a certeza disto quando resolvi comprar um vibrador." - sentenciou ela.
-"Vibrador?...Que vibrador?" - perguntou ele como se acabasse de levar um tapa na cara.
-"À princípio achei que fosse bobagem, mas uma amiga deu-me a ideia e, como achava que tinha que tirar a prova dos nove sobre a minha falta de prazer, reuni coragem e fui a uma boutique do gênero comprar um." - ela falava e sua voz não denunciava nenhum pudor.
-"Quer ver?" - ele mal teve tempo de responder, quando ela num ímpeto levantou-se da cama e abriu a porta do armário. Tirou dali um estojo em veludo preto e para a surpresa de Ricardo, dentro do mesmo surgiu um objeto metálico dourado.
-"É banhado a ouro" - disse ela, segurando o vibrador como se o mesmo fosse um troféu.
-"De ouro?" - respondeu Ricardo, sem saber se ria ou chorava. Ele teve certeza ali, naquele momento, diante daquele vibrador dourado, que seu casamento chegara ao fim. Afinal, não dava para querer competir com um objeto análogo ao seu, porém banhado a ouro 18 quilates.


O conto acima serviu de inspiração para que eu apresente a você, além de uma série de etiquetas sensuais desenvolvidas para a designer THAIS GUSMÃO, uma matéria que foi capa do caderno Equilíbrio, do jornal Folha de S. Paulo. O título da mesma é: VIBRADOR SEM RISADINHA. O PRAZER SAI DA GAVETA, escrito por Noelly Russo.O artigo fala, dentre outras coisas, da sofisticação que este mercado erótico e sensual alcançou. Hoje existem, inclusive, estimuladores de clitóris e vibradores de aço inoxidável banhados à ouro 18 quilates. O preços são compatíveis a este mercado de luxo: o estimulador de clitóris YVA custa R$ 8.999,00 e o vibrador Olga, R$ 6.999,00 (ambos vendidos na Loja do Prazer). Isto indica que em matéria de sexo e prazer, o luxo também aportou nas brincadeiras e fantasias vivenciadas entre quatro paredes.


Quanto às etiquetas mencionadas acima, elas foram desenvolvidas para a marca THAIS GUSMÃO.


Elas apresentam um alto teor de sensualidade ao mostrarem a figura de um lindo par de pernas adornadas por uma meia arrastão. Dê uma conferida e veja se eu tenho razão:

 

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