25 de fev. de 2012

P, M, G ou GG: Cabe em sua cabeça uma coroa?


O tema a ser tratado neste post - monarquia - sempre me interessou bastante e - desde pequeno - foi motivo de muita fantasia, principalmente durante as viagens de férias que fazia na companhia de meus pais por localidades como Petrópolis, RJ, Tiradentes, Ouro Preto, Vila Rica, Mariana e Sabará, MG, e a cidades históricas do Norte e Nordeste.



Lembro-me que - em visitas a igrejas, museus e casas pertencentes a personalidades da história - era um dos últimos integrantes da família ou dos grupos de turistas reunidos que deixava os locais de visitação. Queria passar a mão nas peças expostas, ver com muita profundidade a paisagem de cada quadro, ler minuciosamente cada carta, bilhete, livro ou anúncio de jornal da época.


 Tudo, absolutamente tudo referente ao passado me interessava. Era como se através destes locais e objetos pudesse me transportar à época da colonização e vivenciar cada uma daquelas situações.


 Hoje fico a pensar se este tipo de imersão em um passado do qual não fizera parte não poderia representar uma certa fuga, um alívio para os problemas presentes enfrentados por mim e que muitas vezes gostaria de poder esquecer ou deixar em segundo plano. Mas isto, deixo para a minha analista avaliar.


 No Brasil, fomos governados por dois imperadores: Pedro I e Pedro II. Nunca me esquecerei da emoção que senti ao ver exposta ali,na minha frente, a coroa que pertencera a Dom Pedro II, toda feita em ouro e cravejada de pérolas e pedras preciosas. Ela era - em si - a representação máxima do luxo, do poder, da exclusividade e do glamour vivido por aquela gente.


 Mas deixando as coroas e os monarcas do passado de lado e voltando-se para o presente, quero dizer que depois de muitos anos de vida, terapia, estudos, bons professores, amigos, familiares, pessoas interessadas, iluminadas e preparadas que encontrei pelo caminho, cresci e amadureci e penso que não cabe à ninguém nesta vida ser coroado. Pelo menos não com uma coroa física como a que vi no palácio imperial de Petrópolis. Que me desculpem os amantes das monarquias, todos os príncipes, princesas, reis e rainhas que ainda existem pelo mundo afora e os que ainda esperam para vir a ser coroados.

Para mim, reis e rainhas somos cada um de nós mesmos quando alcançamos a tão sonhada liberdade, através da responsabilidade que é conduzir e governar as nossas próprias vidas. E se é para coroar alguém que não seja nós mesmos - e mesmo assim, de forma simbólica - que sejam aquelas pessoas que dedicam e doam suas próprias vidas para as causas humanitárias, incluindo aí a cura e erradicação de todas as doenças físicas, mentais e espirituais e da vergonhosa miséria que ainda aflige grande parte da população mundial. À todos os demais, desculpem-me, mas as coras que existem no mundo não cabem em suas cabeças, grandes, médias ou pequenas.


O tecido que inspirou-me a fazer a crônica acima foi criado para a marca de acessórios SANTA LOLLA, com o objetivo de vir a forrar as paredes de suas lojas. Apresentei a eles dois temas, este da coroa e um outro de flor-de-lis (já mostrado aqui). O eleito para aquele trabalho foi o tecido flor-de-lis.


Este tecido foi feito em algumas variantes de cores, algumas em tom-sobre-tom, como a vermelha aqui exposta...


...e outras em fundo preto, carvão e cinza claro, com as coroas em ouro metálico.


No caso das variantes em tom -sobre- tom, utilizei-me do recurso de fazer o desenho em fio de lã acrílica, para que viesse a ter um volume maior e também um contraste maior entre as  cores. Além do vermelho, foi feito uma variante em preto e uma em cinza escuro.


Fazendo uma pesquisa para este post, encontrei uma revista francesa (Maisons Coté Quest) de meu acervo para poder mostrar-lhe como fica uma parede forrada com uma estampa forte, de grandes proporções como a nossa.


Depois, fiz um desenho em giz de cera para ilustrar o como ficaria a mesma parede com a nossa estampa.


PS: As quatro ilustrações iniciais deste post foram extraídas do site do Museu Imperial.

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