16 de out de 2012

I. D. do amor

ilustração: Kazuhiko Nakamura

As formas de amar e manifestar o amor vão se modificando ao longo dos tempos. A maneira de se dizer "eu te amo" vai ganhando contornos diferentes a cada geração. Com certeza, se nossos avós - vivos ou não - pudessem ler a poesia de amor abaixo, nada entenderiam de seu conteúdo; mas experimente mostrá-la a um jovem; ele vai se identificar com ela e entender tudo o que a mesma quer dizer. O amor é assim mesmo: tem linguagem própria; aquela que fala à alma e ao coração

Deixe eu fazer uma varredura no seu coração
Procurar pelos vírus que entraram em seu corpo sem a sua permissão
Deixe-me limpar seu disco rígido de todos os maus pensamentos
Instalar os melhores programas que aumentem a capacidade de sua memória
Quando eu tiver acabado de fazer um upgrade em seu corpo
Copiarei todo o conteúdo em meu pendrive e o inserirei no meu PC para atualizar meu programa
Desta forma, tudo o que se passar em sua vida, ficará registrado na minha
Poderei acompanhar online os seus pensamentos, os seus melhores momentos e os erros das gravações
E  tirar de circulação os spans disfarçados de cartas de amor falsamente enviadas por mim
A partir daí seremos dois hardwares de almas-gêmeas
Tudo o que passar na sua tela, passará na minha também
Se um dia - espero que não - você quiser tirar-me de sua vida deixo você entrar no meu painel de programas e desinstalar o seu software
Prometo que depois disso, tirarei o atalho que leva a você de minha tela inicial
E se um dia você se arrepender, querendo voltar, é só reiniciarmos os nossos computadores
Com certeza, o nosso amor estará lá, em quarentena

Achei que o tecido que mostrarei a seguir fala, de certa forma, de amor. Ele tem cara de romance. Um romance embalado à flor. E flor cheira a amor. Dá para entender?

Este tecido foi desenvolvido há alguns anos para a ALCAÇUZ. Utilizei o fio de lã preta para construir o fundo; para fazer as flores, usei os fios navy (cinza) e ouro metálico.


Sem dúvida, uma das mais belas histórias de amor de nossa história passada, o romance entre Dom Pedro I e a lendária Marquesa de Santos, dona Domitília de Castro Canto e Mello, inspirou-me a visitar o Solar da Marquesa, no centro de São Paulo. Localizado na antiga rua do Carmo, no. 3, hoje rua Roberto Simonsen, 136-A,  o mesmo foi palco de festas que marcaram o império. Foi lá que levei o tecido para dar "um passeio". O mesmo descansou de forma majestosa na sacada que dá para o páteo interno da residência. Convido-o agora para uma visita ao passado:



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